A cena

•novembro 20, 2010 • Deixe um comentário

Chega!

Te amo e ouço minha voz em eco. Pilastra fria. Monólogo de atos arrastados. Cenas patéticas. Não ouço risos, só sorrisos amarelos na tentativa de disfarçar o desconforto. A falsa felicidade.

Me lembro da plateia cheia de um eu e você. Aplausos em cena aberta. Momentos de brava emoção.

Hoje a plateia na boca negra me engole. Mas antes me mastigasse num torturar de trincar de dentes… Teria sangue de interpretação. Nem isso…  Só um silêncio de gritos angustiados. Te vejo ir…

As cenas são as mesmas e o improviso é necessário. Não sei como terminar. O final já estava escrito. Era grandioso! Todos os burgueses ficariam felizes com o feliz felizes para sempre feliz! Infelizmente o improviso se faz melhor na comédia. No drama me confundo. Me deixe ir… Não deixe… Se for, então irei primeiro. E o que vem antes do fechar das cortinas?

Black out.

Triste um ator sem plateia… Sem contracenação… Não gosto de jogo! O teu desconheço a   regra.

Até amanhã.

O teu tecido arranha [resolvi postá-lo novamente]

•novembro 17, 2010 • Deixe um comentário

cama1A falta de você é a razão da minha existência. Sentimento apodrecido. Meia noite e meia os lençóis conversam comigo. Me devoram em um abraço de súplica. Discussão latente que rasga o tecido, deixa o fio solto. Eles exigem você. Digo que não te conheço. Eles se entrelaçam entre meus pés, dominam minhas pernas e dão um nó. Lençóis são astutos. Violentos quando contrariados. Permaneço meio imóvel meio estatelado meio angustiado. Tento arrancá-los de mim mas lençóis são como sentimentos malditos enraizados dentro de lembranças vazias. Paro.

Me desamarrem! Por favor, eu vos peço. Não possuo respostas. Me abracem. Mudem essa cara amafronhada. Não vão falar comigo? Tudo bem. Durmam bem.

O teu tecido arranha. Mas não deixa marcas visíveis. Você visita meus sonhos. Não te vejo na rua. Dormindo falo baixinho palavras indecifráveis. E sonhar é desejo de não acordar.

Acordo. Vocês estão amassados, um pouco alarmados. Silhueta negra na porta aberta. Não quero ficar só. Por favor entre. Nós estávamos te esperando. Já não existo mais.

Volto

•novembro 17, 2010 • Deixe um comentário

Há mais de um ano não passo por aqui! TANTA COISA ACONTECEU! Nem sei se tudo vi… Mas senti profundamente. Tenho nesse momento uma necessidade avassaladora de escrever… Talvez por querer organizar essa esquizofrenia de pensamentos… No fundo evito esclarecimentos.

Cada dia que voa me diz que o amor é uma força extremamente concreta… Palpável…

Paradoxal! Pensei em dizer tanta coisa mas me vejo confuso… Palavras-tijolos-pesados-que-caem-em-gritos-surdos… Chega!

 

 

 

Paro.

 

 

O curso das letras…

•julho 31, 2009 • 3 Comentários

004Pois é… está acabando… Quatro anos voaram como um furacão. Já sinto falta de vocês. Imagens explodem aos montes na minha mente. Saudade são pingos de chuva no temporal. Aperto no peito.

Dei muitas risadas. Disse o que queria. Fui o que podia ser. Mas a vontade de ter sido mais grita aos ouvidos.

Muitas transformações as fotos denunciam. Mas elas não capturam a essência, os papos, os abraços apertados. De um tempo para cá ficaram tão excassos… O que nos une é a verdade das lembranças.

O tempo nos carrega para mares diferentes. E um dia nem lembraremos da nossa existência. Até lá muita água…

Eu guardo a grama amarela debaixo das letras U-E-R-J. Guardo as risadas altas nos corredores. As deliciosas besteiras que falamos. O calor excessivo. As leituras cansativas. Os trabalhos enlouquecedores. As imagens de vocês amigos… Eu guardo.

Queria tanto entrar… Depois queria tanto sair… Agora quero tanto que façamos mais histórias a serem lembradas.

Foi bom…

Um texto mal escrito

•maio 17, 2009 • 1 Comentário

A vida passa por estradas bem esquisitas.

Queremos ser donos de outros donos sem ao menos sermos nossos donos. Incompletos que somos. E isso dói. Queremos viver intensamente porque tudo acaba, mas parece que não. Perdemos muito tempo com escola, trabalhos e ocupações para esquecermos que o mundo é findo. Queremos no apaixonar-casar-ter-filhos pois parece a única fórmula da felicidade. Mas o que é bom pra mim não é pra você e tudo se confunde. Vivemos na esperança de um amanhã que nunca chega e criamos utopias… Sofremos em edifícios sob ar condicionados, vinhos e a música triste daquela cantora.

Melhor do que nada… But is not enough!

Mudo a face, sinto o mundo e venta. É azul… Giro, respiro fundo é alecrim. Falo em primeira pessoa e ecoa finalmente um som. Procuro um sentindo

Preciso

Continuo

Sapo

•abril 11, 2009 • 2 Comentários

Me desculpe. Este é apenas um textetílico de palavra mal ditas.

Você merece um homem terno-gravata-borboleta-que-não-voa. Um homem terno-gravata-borboleta-que-não-voa que te traga estabilidade apesar do planeta não parar de rodar um só segundo. Você merece!

Sorriso de Monalisa. Você se veste com palavras difícies. Te compreendo tanto que dói. Muro de papel. Você está tão longe dentro de si… Ou seria eu cego em mim? Me desculpe. Não sei de onde surgiram esses sentimentospalavrasperdidasquesebatem

Queria ser um príncipe e te buscar em um cavalo branco. Mas ser personagem na vida real é encenar a  felicidade. Não tenho cavalo. Os heróis não são meus favoritos.

Revestido de defeitos sou apenas mortal. Você, imortal em minhas lembranças até a mortalidade me consumir… Ou a necessidade de esquecer faça findo o dia. 

Você merece muito. Mas do que você precisa? Me deculpe. Não tenho cavalo.

Voe. Vou.

 

Dizerão

•fevereiro 25, 2009 • 2 Comentários

Cala a boca que a alma é finda. A lágrima não cai de teimosa assustada. Preciso te revelar que o dia é pêssego-mostarda calha calada boca. A alma é finda fininha assanha. Desejo de não dizer ver te não. Confuso.

 

Róseo lábio quebrado espelho segredo. Cerrados dentes que de tinta língua o medo guardam. Dizer te não. A lágrima de teimosa espirra carente falha. Pensar que um e um são. Só.

 

Parede fria de noite azul é negro sonho. Olhar te em vão. Saber que o dia é longe nada sabe. A porta tranca palavras mudas de flores roxas já. Ruído.

 

Dizer é escrever em linhas retas palavras mal ditas. Borrão. Papel riscado fez grafite sentimento. Borracha apaga.

 

Mas olhos brilhantes.